Se um dia a imagem humana residisse apenas numa bandeira, qualquer hino seria um eterno órfão do suspiro intemporal da brisa da imaginação.
Se um dia o prazer de amar tingisse apenas a franja de uma qualquer bandeira, qualquer poema do homem se perderia na imensidão do som de um gemido de baleia.
Se um dia a glória pudesse ler-se na trama do tecido de uma bandeira, a vontade de crescer de uma montanha seria como o fluir em devir da mágoa de uma tempestade de chuva.
Se um dia a pluma de uma pomba pousasse no estremecer da brisa de uma bandeira, o voo do desejo seria como a perdição de um grito de guerreiro sem o hálito da fé.
Se um dia uma bandeira ousasse expressar o destino de uma bandeira, o suor do rosto seria tão humano como a fragancia da vertigem de um raio de luz em solo de nuvens secas perdidas na imensidão de sonhos imemoráveis.
Se um dia qualquer consciência pudesse ter qualquer bandeira, qualquer coisa da vida poderia ter sentido.
Mas, nesse dia, a saliva da arte teria a ausência do pincel, o sangue da terra seria barro húmido e de aroma duvidoso e as bandeiras, ai! as bandeiras das nossas prostrações mentais, seriam meros artefactos nascidos do génio de uma qualquer costureira de destinos.
Se um dia pudéssemos acreditar que existe uma bandeira para a vida, jamais conseguiríamos libertar-nos de um sufocante mastro solitário neste eterno oceano sem ilhas que é a nossa ânsia de liberdade.
Mas, um dia, a mesma bandeira que nos obrigou a beber a luz da obrigação jovial de nascer para esta existência, será o véu que nos encerrará a porta libertadora para o poder de aceitar a única certeza da não-vida do nosso percurso.
E, afinal, todo este andar por aqui tem por roupagem uma bandeira qualquer de uma cor sem padrão que nos preenche e de tal forma inevitável que existir sem uma bandeira é como ser mendigo sem um estado de caridade.
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