
É assim...
tomou espaço na vida das pessoas e tornou-se um elo minimalista de complemento da distância que medeia entre uma consciência dividida em alertas permanentes e uma coerência de linguagem que procura sobreviver em memória de um sentido de equilibrio.
É assim...
mesmo que não seja, entra como se fosse. É assim veio substituir uma leve e discreta passagem de língua no lábio inferior, um desvio pelo lábio superior, um renascer de brilho, num ritual quase sensual e que emprestava ao discurso um petit moment de olhar digno de múltiplas investidas no imaginário do ouvinte. É assim transforma a frase numa desventura de parágrafo à Saramago, sem vírgulas nem fôlego de leitura e com uma melodia mais ao sentido rave do que com um interminável e sempre novo chilreio do canário. É assim é sempre assim. e prontos.
Mas é assim porque o vocabulário é cada vez mais parco. Na falta de palavras para a vertigem do imaginário injecta-se o é assim com um big mac em hora de almoço vazia de tempo para um olhar gostoso no engenho gastronómico. É assim que começamos aquilo que não sabemos bem como dizer e que jamais teremos coragem de encontrar modo de rematar como o tenho dito.
É assim...
e dois pontos.
Cá para mim, mais valia um grunhido. Pois afinal esta é assim apenas demonstra que o espaço do entendimento de criação da linguagem cada vez mais está divorciado da sincera ligação ao espaço daquilo que realmente se pensa. Criou-se uma linguagem de tabela, como se falar fosse apenas mais um ciclo de equações sem dar lugar ao desvario daquilo que reina naqueloutro coração que vive em nós, que não bombeia sangue, não estremece a um ciclo ritmado como um motor, que não tem veias nem artérias. Um coração que não sabe dizer é assim porque não precisa de demonstrar aquilo que supostamente está destinado a fazer. Aquele coração que estremece na alma, o mesmo que faz parar o corpo como a petit mort de um momento de orgasmo.
Afinal o que distingue um é assim de um latido?
Um latido sente-se. Quando o meu platão late de forma mais grave, embora emita o monossílabo único que aprendeu, percebo que está alerta com algo no exterior. Quando late de forma mais comedida, com o mesmo palavrão, sinto bem que precisa de companhia.
Mas o é assim, dito seja lá por quem for, demonstra sempre a mesma mesma merda: faltam palavras para um bom discurso. Mais valia ladrar.
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