Já não vestimos a roupa para aquecer ou a farda para proteger. Vestimos para parecer. Já não falamos para comunicar, nem escrevemos para memória dos genes. Vomitamos expressões-tipo para agradar e teclamos essencialidades para ganhar.
Nesta nossa natureza vai vencendo o arlequim. E na sua louca caminhada, embora nada entenda de matemática, com sobranceria sorridente, olha a genialidade do criador da equação com aquele tom daqueloutro tão a si igual que apresenta a obra de arte… mas apenas lhe deve a assinatura … e o proveito digno de um mutante.
Resistir a este curso incurável do movimento do rio seria como querer alterar a lei da gravidade de newton. È uma contingência amarga. Mas… a vida decorre na exacta dimensão do comprimento do tempo. Por mais travestida que nos possa ser imposta, o seu devir jamais sofre insinuações, na realidade. Podemos demitir a alegria, podemos fazer da dor um parceiro do calor do sangue. Mas não podemos, mesmo querendo, perder a nossa identidade.
Podemos aceitar o sal a que nos obrigam com um sorriso doce, mas não deixa de ser um nosso e só nosso sorriso. Já o arlequim, quando despe as mil cores da sua roupagem, não descortina qualquer sorriso, porque de tanto imitante no poder militante do escárnio de multidões, já não encontra ser para se ser.
sábado, julho 22, 2006
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1 comentário:
eh eh
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