Quando o momento nos oferece apenas um olhar de relance, num esquivo passo de cobardia dissimulada em tons de responsabilidade e empenho prenhes de inocuidade, sentimos que aquele círculo de gente que nos cerca são figurantes de uma qualquer encenação encomendada de barato e povoada de sorrisos superficiais, nascidos de bocas encharcadas do fel que brota do espírito de tais mentes obcecadas em medos e desventuras escondidas e reprimidas no fundo de uma infância de moral impecável.
O pior que se pode fazer ao menino é dar-lhe uma infância sem a liberdade de uma boa sessão de pancadaria na escola, sem uma boa tarde de lama, chuva, gripe e febre até partir, sem o deixar comer fruta com casca e bicho roubada na árvore do quintal do vizinho, sem o deixar fazer uma boa sessão de médicos e enfermeiras, mamãs e papás, truca-truca, com as meninas do prédio ao lado…
O pior que se pode dar ao menino é deixá-lo ser e só ser filho do papá e da mamã.
Quando for grande há-de ser um rapaz muito bem educado, com qualidades acima da média, preferido de toda a gente… mas sempre um falso amigo, embora aparentando qualidades imensas para a cultura de tal arte.
O menino que apenas conheceu as contrariedades impostas pelos desígnios educativos dos seus progenitores, não sabe lidar com as contrariedades de ter um amigo por ser igual, de estar na vida por estar como os outros, de beber a água como os outros a bebem, de olhar nos olhos no mesmo plano vectorial que o seu semelhante. O menino já nasceu educado. Não aprendeu a educação com os imprevistos que vida vai trazendo.
Ter amigos é uma tarefa difícil. Porque é um trabalho que implica ter um bonito respeito pela vontade do nosso interlocutor e ter a coragem de acrescentar à sua vontade a boa vontade que em nós podemos encontrar. Os maus amigos são aqueles que fazem disso um comércio de vida. A amizade que exigem é aquela que resulta de um contrato de dependências que nos cercam e limitam crescentemente.
Lentamente, vamos sentindo o aperto da falsa amizade que nos rodeia. Chega até ao momento em que já nem o olhar tem coragem de se expor. E a amizade fica rendida a uma cegueira de obcecadas rotinas de poder.
Por vezes a morte é um sintoma de liberdade… não a morte da vida, mas a morte da esperança que também fica cercada por deslealdades indomáveis. Prefiro estar preso no silêncio do tempo que respiro do que marchar no grito ensaiado de um rebanho já vendido ao carniceiro.
Prefiro matar do que oferecer para uma amizade ensaiada a dignidade de estar vivo.
O pior que se pode fazer ao menino é dar-lhe uma infância sem a liberdade de uma boa sessão de pancadaria na escola, sem uma boa tarde de lama, chuva, gripe e febre até partir, sem o deixar comer fruta com casca e bicho roubada na árvore do quintal do vizinho, sem o deixar fazer uma boa sessão de médicos e enfermeiras, mamãs e papás, truca-truca, com as meninas do prédio ao lado…
O pior que se pode dar ao menino é deixá-lo ser e só ser filho do papá e da mamã.
Quando for grande há-de ser um rapaz muito bem educado, com qualidades acima da média, preferido de toda a gente… mas sempre um falso amigo, embora aparentando qualidades imensas para a cultura de tal arte.
O menino que apenas conheceu as contrariedades impostas pelos desígnios educativos dos seus progenitores, não sabe lidar com as contrariedades de ter um amigo por ser igual, de estar na vida por estar como os outros, de beber a água como os outros a bebem, de olhar nos olhos no mesmo plano vectorial que o seu semelhante. O menino já nasceu educado. Não aprendeu a educação com os imprevistos que vida vai trazendo.
Ter amigos é uma tarefa difícil. Porque é um trabalho que implica ter um bonito respeito pela vontade do nosso interlocutor e ter a coragem de acrescentar à sua vontade a boa vontade que em nós podemos encontrar. Os maus amigos são aqueles que fazem disso um comércio de vida. A amizade que exigem é aquela que resulta de um contrato de dependências que nos cercam e limitam crescentemente.Lentamente, vamos sentindo o aperto da falsa amizade que nos rodeia. Chega até ao momento em que já nem o olhar tem coragem de se expor. E a amizade fica rendida a uma cegueira de obcecadas rotinas de poder.
Por vezes a morte é um sintoma de liberdade… não a morte da vida, mas a morte da esperança que também fica cercada por deslealdades indomáveis. Prefiro estar preso no silêncio do tempo que respiro do que marchar no grito ensaiado de um rebanho já vendido ao carniceiro.
Prefiro matar do que oferecer para uma amizade ensaiada a dignidade de estar vivo.
1 comentário:
Orgulho de sangue que me arrebata. Enche a alma saber que existes assim. Dessa forma livre por dentro. Beijinhos.
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