sabe-se...
é tanto o torpor de alma que já nem sabe se é cansaço, se é amargo de gosto, se é apenas abandono.
apenas os dedos percorrem de forma subtil as superfícies ao alcance do calor da pele, como se toda a carapaça dura do lado da vida estivesse vestida de veludo.
E de veludo é todo o rosto das ideias que o invadem, numa profunda viagem ao poro mais envergonhado que se ostenta, na sua solidão, como uma floresta de ácaros sequiosos de toda a dor escondida no silêncio.
sabe-se...
que o melhor momento é aquele em que compõe a palavra na segurança do seu íntimo e profere o discurso no mais profundo grito da sua mudez.
apenas os dedos continuam a viagem naquele matiz macio que não existe e que perdura no voo da imagem que brilha no bastidor da retina.
sabe-se...
que tudo fica ligado ao destino da alma. da alma que não existe porque não é, porque não se tem. daquilo que ninguém vê, ninguém sente e que em todos aquece. A alma, mensageiro de esperança, arcanjo de imaginários de uma vida que tem apenas a certeza da sua morte.
sabe-se...
apenas que o tempo tem o destino intangível de alimentar sómente a missão de uma medida. A medida daquilo que falta para viver e a angústia que perdura por esquecer...
e sabe-se ainda
que a morte é o único companheiro que aguarda por si no destino.
por isso os dedos viajam sem a consciência de sentir-se nesse torpor do cansaço que afinal apenas nos habita como diversão da certeza que a alma adivinha mas que a pele, a carne e o sangue procuram ignorar, numa inebriada dança de macios mergulhos no veludo do destino.
sabe-se apenas que não há saber que resista para saber a vida.
e só no fim se adivinha, como se a morte fosse o troféu de um mergulho sem sal.
quarta-feira, dezembro 06, 2006
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário