sábado, julho 22, 2006

Já não vestimos a roupa para aquecer ou a farda para proteger. Vestimos para parecer. Já não falamos para comunicar, nem escrevemos para memória dos genes. Vomitamos expressões-tipo para agradar e teclamos essencialidades para ganhar.
Nesta nossa natureza vai vencendo o arlequim. E na sua louca caminhada, embora nada entenda de matemática, com sobranceria sorridente, olha a genialidade do criador da equação com aquele tom daqueloutro tão a si igual que apresenta a obra de arte… mas apenas lhe deve a assinatura … e o proveito digno de um mutante.
Resistir a este curso incurável do movimento do rio seria como querer alterar a lei da gravidade de newton. È uma contingência amarga. Mas… a vida decorre na exacta dimensão do comprimento do tempo. Por mais travestida que nos possa ser imposta, o seu devir jamais sofre insinuações, na realidade. Podemos demitir a alegria, podemos fazer da dor um parceiro do calor do sangue. Mas não podemos, mesmo querendo, perder a nossa identidade.
Podemos aceitar o sal a que nos obrigam com um sorriso doce, mas não deixa de ser um nosso e só nosso sorriso. Já o arlequim, quando despe as mil cores da sua roupagem, não descortina qualquer sorriso, porque de tanto imitante no poder militante do escárnio de multidões, já não encontra ser para se ser.

1 comentário:

Anónimo disse...

eh eh